FRANCISCO DE HOLANDA OU O SIMULACRO DO GÉNIO

  • Vasco Medeiros Doutorando (ARTIS - Instituto de História da Arte)
Palavras-chave: Francisco de Holanda, Maneirismo, Ciência, Perspectiva, Tratadística

Resumo

A dimensão universal de Francisco de Holanda constitui facto incontestável. Face ao axioma, urge libertar a visão de constrangimentos e miopias na análise do homem real, distante da mitificação histórica e teórica formulada nas multiplas páginas que a sua proficua tratadística originou. Holanda vincula-se conscientemente ao papel do génio maneirista, cujo desprendimento teórico não constitui óbice à formulação artística, antes pelo contrário. No entanto, este posicionamento dificilmente se enquadra com a estrutura teórica dos multiplos tratados e manifestos que compôs. A Idea, imagem pura e liberta de quaisquer constrangimentos assumirá papel preponderante no ideário maneirista, constituindo o seu abnegado anticlassicismo, verdadeiro libelo contestatário contra a crescente cientificação da arte. Do seu confronto com este universo dissonante - de génio multisciente à singularidade de génio criador - Holanda irá conjugar em si duas paradoxais dimensões: Um simulacro de erudição em clara oposição à Terribilitá deformante e irreverente do espirito maneirista.

Publicado
2015-12-12
Como Citar
Medeiros, Vasco. 2015. FRANCISCO DE HOLANDA OU O SIMULACRO DO GÉNIO. ARTis ON, n. 1 (Dezembro), 188-94. http://artison.letras.ulisboa.pt/index.php/ao/article/view/31.
Secção
VARIA